7.5.10

o fim em clausura

era uma vez uma ave.
raça indefinida.
talvez um misto de todas elas.
ela adorava cantar,
adorava voar.
não precisava viver presa.
ela tinha liberdade de ir e voltar
e ela sempre voltava.
no dia seguinte e no outro
e às vezes até nas noites.
ela tinha um rapaz por ela,
não tinha medo,
não era triste,
nunca estava só.
ela cantava o tempo todo,
pousava nas mãos do rapaz
e descansava.
dormia por perto,
acordava feliz.

eles tiveram um problema.
se afastaram.

agora ela não canta mais,
ela não voa pra canto algum,
ela tem medo,
e está o tempo todo em solidão.
ela não volta mais.
e o descanso,
deixou de existir.
ela dorme mal
ela acorda sem nem piar.
mas como ela venceria,
se o rapaz não abre mais as mãos?
como eles resolveriam o problema,
se ele não dorme mais por perto?

ela agora está sozinha
e não vai mudar isso.
nada de outros rapazes,
ou outros pássaros.

ela agora está voando baixo,
piando pouco,
sem cantar nunca,
e apavorada,
de reviver o que o rapaz,
não desistiu no princípio
nem no meio
mas no fim.
essa solidão,
dói mais que o problema
que ele, mesmo sem saber,
conseguiu enfim curar.

ela só queria voltar a cantar.
só queria voltar a voar.

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