28.4.09

quando eu morrer queime meu corpo

para aqueles que não desistiram de mim,
que estiveram, sem querer nada além de estar...
a esses eu permito de bom grado uma canção.
podem cantar que eu mudei, mudei, mudei
e no último refrão digam que eu amei.
digam que só muito perto
pra entender as mudanças...
e que mais perto ainda
pra sentir o amor.
estes já sabem que eu não gostaria de mais nada.
mas para aqueles que preferiram partir
digo o que menos quero:
não cantem, não falem meu nome.
não me tragam orquídeas ou rosas.
não vistam preto, não chorem.
o tempo pra cantar de mim, pra me conquistar com flores
pra se entristecer por mim, pra chorar comigo...
esse tempo já passou
e se algum dos que partiram,
por dor, ou desapego,
quiser poupar os que me importam,
poupar aqueles que não desistiram...
quando eu morrer... queime meu corpo.

26.4.09

o dilema das asas

respira garota, respira...
você nunca caiu.
pensa cara, pensa...
você não quer fazê-la cair.
talvez seja possível dar certo menina.
talvez ela sinta o mesmo que você rapaz...
e além do medo da queda,
ela tem medo de que dessa vez seja diferente.
e também medo de que aconteça tudo de novo.
mas ela não vai fugir.
ela vai ficar bem aqui...

eu vou ficar bem aqui.

24.4.09

a bailarina descalça

de todas as coisas
ela foi a única que não ficou no lugar
de todas as peças
ela foi aquela que não encaixou
de todo o lixo
ela foi a parte que recicla
ela é aquilo que voltou à moda
ela se torna o que muitos comprariam
mas ela não olha pro lado
ela não olha pra baixo
ela não escuta os pedidos
ela não escuta as propostas
ela não fala pra ter atenção
ela não fala pra convencer
ela só fecha os olhos
e canta qualquer coisa pra dançar
ela é como um
"Adeus amigos, vou para a glória"

22.4.09

sinônimo

sinônimo?
é quando você levanta a sombrancelha e olha pro lado
porque tá irritado com o que acabou de ouvir...
é quando você você me cutuca
só pra chamar atenção...
é quando você explica alguma coisa
com ar de quem sabe o que diz...
é quando você me olha sem entender
querendo saber do que é que eu to rindo...
é quando você ri comigo
mesmo sem saber o por que...
é quando você fica bravo
por não saber o por que...
é quando você me abraça
e não solta...
é quando você me deixa confusa
porque eu sou confusa pra você...
é quando você segura a minha mão
e cruza os dedos nos meus...
é quando você deita perto
e encosta o rosto em mim...
é quando você fica calado
e acaricia a minha pele ...
e é quando você me diz
tudo o que não disse a ninguém...
esses são os meus motivos
e o sinônimo deles é amar você.

20.4.09

23 linhas

há pelo menos uma coisa que não podemos negar.
estou me tornando cada vez mais você e você, eu.
lembro de você dizendo que era pelo filme em si e não pelo final.
e eu que nunca suportei finais tristes, hoje até reconsidero.
imagino: e se houve um enredo feliz?
agora vem você dizer, que só se aproveita um filme uma vez
um final de poucos minutos não reduz um filme à uma única vez!
acho que se os mocinhos já soubessem o final
e também soubessem tudo que teriam que passar;
só pra que estivessem juntos...
ainda que não fosse até o final.
acho que ainda assim
cumpririam o script à rigor.
durante todas as cenas
são inúmeros os detalhes,
excelentes as risadas,
e lágrimas tão sentidas...
(nos que possuem protagonistas de verdade, claro.
existe sempre uma boa dúzia que não entende o peso
ou até a responsabilidade que acompanha um papel.)
a questão é que aí,
o final é só o resultado de uma série.
uma série de pequenas e grandes escolhas, e sim.
um bom tanto de "acaso"
(é que eu não acredito em acaso.
pra mim, é tudo coisa do roteirista)
então... só relembrando:
você acreditava em enredos. eu acreditava em finais.
mas a gente devia mesmo era acreditar nas tantas escolhas
já que "acaso" é "acaso".
e eu deixei de falar de filmes há 23 linhas.

17.4.09

aos pedaços

um pedacinho aqui.
o outro logo ali.
oi amigo! olha onde pisa
tem um pedaço meu aí também.
não, não precisa parar.
só dê a volta por favor.
alguém tem um tubo de cola aí?
ou qualquer tipo de fita...
há quanto tempo pai! bom te ver
até a próxima, se Deus quiser
opa, cuidado! não esmague
eu já to quebrada aqui!
juntar, colar, remendar
encaixar, ajustar e pronto!
até mais mãe! a gente se vê
já pareço novinha!
ciranda, correndo, rodando
subindo, virando, descendo
um mosaico, um quebra-cabeça
um frankenstein ou cubo mágico
desculpe a aparência. oi amor.
perdoe a inconveniência
estive espalhada por todo lado
mas já vou melhorar. não olhe

15.4.09

todo o mundo

e então o amor.
todo mundo fica igual
tentando ser diferente de todomundo.
todo mundo se diz forte e fechado
decidido e no controle.
isso, pra todo mundo ser diferente
de todo-mundo que é todomundo.
todomundo que é frágil e sonha
que é inseguro e não tá no controle.
esses que só desejariam estar no controle,
se fosse pra controlar com mais alguém.
eu agora quero ser todomundo.
todomundo mesmo!
quero promessas de amor eterno
minhas flores preferidas numa ocasião que precise.
loucuras, riscos e exageros
quero ficar vermelha
dormir sorrindo por relembrar o dia!
quero demonstrações em todo lugar
quero abraços de braços que não me soltem
enquanto eu não soltar.
quero beijos que tirem o ar
que me façam querer chorar de felicidade
que me aqueçam num dia frio.
quero ser todomundo
e largar a capa fria e aparentemente insensível
de ser todo mundo que fica igual.
esse todo mundo que tenta ser diferente,
acaba de alguma forma sempre separado.
eu não quero ser nada.
eu quero só ser todomundo.
todomundo que de alguma forma ficou junto no final.
todomundo é o final de todo mundo
e esse é sem dúvida o melhor começo!

14.4.09

ela sentiu

amanheceu triste, com o coração pesado e cheio de rachadurinhas...
olhos acinzentados que nem marejavam mais de tão cansados.

o sol despontou com força, quente e alto,
assim que ela pôs os pés na varanda.
os raios focavam:
- força menininha! em frente!
mas ela não percebeu...

sentou na grama que nunca pareceu tão verde...
tão fofa, gentil...
as folhas macias acariciavam:
- se conforta garota! aproveita!
pra ela tudo tava era muito duro, isso sim!

as margaridas alegres, cheirosas,
estavam floridas e balançavam com a brisa.
as pétalas brancas exalavam:
- respira menina! inspira!
mas ela se distraiu.

de repente, como típica tarde de verão,
veio a chuva. refrescante. brilhante.
escorria pelo rosto e as gotas pingavam:
- se renova criança! madura!
ela sacudiu a água do rosto com a chuva estiando.

um anjo trouxe um arco-íris.
transparente, mágico, vivo!
as cores pintavam:
- esperança moça! acredita!
não. nem isso ela viu.

um rapaz também apareceu.
veio sem nada, a levantou pelas mãos,
a beijou com preocupação. propôs uma volta.
ele quis dizer:
- eu tô aqui! tudo vai ficar bem!
mas ela não estava percebendo muita coisa mesmo nesse dia.

ainda assim se deixou levar.
alguma coisa sentiu
e pensava assim:
- ele tá aqui. tudo vai ficar bem.
e o resto mundo sorriu

12.4.09

improviso

eu odeio o silêncio
mas não culpo se ninguém canta.
o mal da parte solo
é que a harmonia é triste.
costumo então focar
só em não precisar de partituras.
o improviso é só meu
e se o cara for bom, acompanha.

10.4.09

mimada por mim

eu - quero - tudo!
eu quero abraçar o mundo com as pernas.
pernas nuas e dançantes...
eu quero ter...
e no sentido amplo da idéia.
possuir, escolher, dominar, encorajar, ou destruir
(se eu quiser).
eu quero absolutamente tudo o que vejo e gosto.
e eu quero agora!
claro. sempre há a possibilidade de não me entregarem,
ou ser um objeto "not for sale",
ou que não pode ser repassado,
ou ainda ser algo de vontade e
que não tem vontade de ser meu.
nesses casos, eu vou lá e pego.
se eu enjoar, ou quem sabe me ferir,
posso acabar odiando e aos poucos
alimentar a minha trapaça preferida.
eu posso ser indiferente.
mas meu jogo é fazer melhor...
não posso evitar, é um vício.
é a discussão que não pode ser perdida,
a argumentação que não pode ser fraca,
o desejo que não pode ser ignorado.
talvez eu tenha me mimado...
ou talvez eu tenha vontade.
seja como for eu faço melhor.
sempre.
e se o jogo é meu, eu nunca perco. ah...
esse jogo é meu...